PESQUISE NUMA BOA

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O CASO ADRIANO 1



Uma personalidade pública pode ser apreciada, analisada e comentada pela mídia, desde que se mantenham as normas mais dignas de respeito e consideração. Mas hipóteses e muitas especulações podem surgir, guardando sempre aquelas atitudes de civilidade e bom senso nos comentários. É o caso do jogador da Inter de Milão, Adriano. Nunca vi pessoalmente esse craque do futebol mundial. Tudo isso que falam sobre a sua decisão de deixar momentaneamente o futebol ouvi nos comentários da televisão e li nos jornais das principais capitais do Brasil, principalmente no eixo Rio-São Paulo.
Adriano vem, há muito tempo, tendo um comportamento estranho, no que diz respeito às atitudes de um jogador profissional, com contrato e pagamento em dia. As notícias sempre ocorrem sobre suas atitudes incompatíveis a um profissional bem resolvido com seu clube, com sua torcida, com a Seleção de seu país, com sua Confederação, mas não com sua família e, principalmente, consigo mesmo. Bem, isso ele deixa claro nas entrevistas e sobre essas coisas especula-se muito. Será que ele está ou esteve envolvido com drogas, com a vida luxuriante, com a futilidade dos prazeres mundanos que o dinheiro proporciona no sistema capitalista? Não parece ser isso a causa fundamental de seu comportamento desviante. Mas o que é um comportamento desviante? Seriam as atitudes tomadas por uma pessoa, pressionada pela imposição da sociedade, diferente do que ela, a sociedade, dispõe como normal e certo. A força da norma ataca o ser humano na civilização. Freud tem um excepcional livro, base de muitas das suas principais teorias psicanalíticas, intitulado MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO. A caracterização do neurótico pode ser observada no Capítulo V dessa obra. Seria Adriano um neurótico? Segundo Freud, “O neurótico cria, em seus sintomas, satisfações substitutivas para si, e estas ou lhe causam sofrimento em si próprias, ou se lhe tornam fontes de sofrimento pela criação de dificuldades em seus relacionamentos com o meio ambiente e a sociedade a que pertence”.

Não analisaremos o Adriano como um paciente de divã, não é isso. Vamos tentar sempre apresentar uma explicação para o comportamento desviante desse “cracaço” de bola. Adriano se envolveu como é natural, com belas e esculturais mulheres, dizendo-se, algumas vezes, apaixonado por elas, mas sempre frisando que dificilmente seria compreendido. Por quem? Todos os que lidam ou já lidaram, profissionalmente, com o jogador disseram que ele é meigo, muito dócil, bonzinho, que gosta de todo mundo, de seus amigos, de sua comunidade, das pessoas de um modo geral. Carlos Alberto Parreira disse isso, recentemente, no programa de Galvão Bueno, BEM AMIGOS, da Rede Globo de Televisão.

Agora, voltando ao pai da psicanálise. Freud também faz referência à parte de um dos primeiros mandamentos da fé católica que diz: amará a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Prossegue Freud: “Essa exigência, conhecida em todo o mundo, é, indubitavelmente, mais antiga que o cristianismo que a apresenta como sua reivindicação mais gloriosa... Por que deveremos agir desse modo? Que bem isso nos trará? Acima de tudo, como conseguiremos agir desse modo? Como isso pode ser possível? Meu amor, para mim, é algo de valioso, que eu não devo jogar sem reflexão. A máxima me impõe deveres para cujo cumprimento devo estar preparado e disposto a efetuar sacrifícios. Se amo uma pessoa, ela tem de merecer meu amor de alguma maneira..... Ela merecerá meu amor, se for de tal modo semelhante a mim, em aspectos importantes, que eu me possa amar nela; merecê-lo-á também, se for de tal modo mais perfeita do que eu, que nela eu possa amar meu ideal de meu próprio eu (self)”.

Freud continua, dizendo que se há algum grau de envolvimento, como numa estrutura de parentesco, por exemplo, o amor poderá existir, “mas, se essa pessoa for um estranho para mim e não conseguir atrair-me por um de seus próprios valores, ou por qualquer significação que já possa ter adquirido para a minha vida emocional, me será muito difícil amá-la. E continua: Na verdade, eu estaria errado agindo assim, pois meu amor é valorizado por todos os meus como um sinal de minha preferência por eles, e seria injusto para com eles, colocar um estranho no mesmo plano em que eles estão”.

Adriano pode ser bonzinho, meigo, doce, amável, segundo depoimento de pessoas ligadas ao esporte que com ele conviveram, mas não será sempre assim, no recôndito refúgio de sua solidão. Se ele é bonzinho, pois a sociedade, através de seus porta-vozes assim o disseram, e ele ouviu essas declarações midiáticas, vai querer que assim seja e se confundirá, instaurando-se o conflito em sua precária realidade e ele passará a fingir, fantasiando o real, sintomatizando a neurose.
Bem, por enquanto ficaremos por aqui, mas convido meus leitores amigos para essa discussão que será abrilhantada por um dos maiores intelectuais brasileiros, profundo conhecedor da teoria freudiana-lacaniana em nosso país, o Professor Doutor Antônio Sérgio Lima Mendonça, que apresentará outros comentários sobre esse instigante tema: o comportamento social do craque Adriano, do Internationale de Milão e da Seleção Brasileira de Futebol.

ATÉ A PRÓXIMA


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