PESQUISE NUMA BOA

domingo, 17 de julho de 2011

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DO FUTEBOL DESSE PAÍS...

O futebol da Seleção Brasileira é uma balela. Trata-se de um futebol para todos da CBF ganhar dinheiro. Muito dinheiro. Para que a convocação desses jogadores estrangeiros que nunca jogam juntos? Para que convocar jogadores que atuam no Brasil e também nunca jogaram juntos? Sempre soube que futebol é conjunto. É só convocar o melhor time do Brasil na atualidade, dá-lhe a camisa amarelinha e sair para o abraço. Por que Mano Meneses não convocou o Corinthians? Ganharia tudo. Dava uma lambada no Paraguai e traria o caneco para cá. Agora, convocar jogadores e mais jogadores, tirando dos times que disputam o Campeonato Brasileiro os melhorezinhos, pois não me digam que o Fred, por exemplo, estava em forma no Fluminense. E assim por diante. E aquele cara desconhecido, do qual nem me lembro o nome, que foi escalado no primeiro jogo dessa Copa América? Veio de onde? Agora, se o Brasil tivesse a sorte deslavada de ser campeão, em quanto estaria valorizado o seu passe? E quem ganharia com isso. Eu é que não ganharia nada, mas os homens da CBF, juro que não ficariam zangadinhos... Parem com isso, senhores dirigentes da CBF! Uma Seleção Brasileira ser eliminada nos pênaltis, perdendo 4 pênaltis seguidos. Que horror! Nunca antes na história desse país isso aconteceu, não é mesmo Seu Lula "curintianu"! O povo brasileiro pode ser analfabeto em sua grande maioria, péssimo eleitor, esquecido, sem memória, bronco, sem força para se indignar com as constantes patifarias sofridas e os assaltos a seu bolso etc etc etc, mas não é burro! Burro, não! Burro, não! Pelo menos conhece futebol. Conhece futebol como esporte lúdico, honesto e decente. E sabe que futebol é conjunto. Mas desconhece esse tal de "foot-baal business" em que nosso jogo de bola se transformou pela ganância de seus dirigentes de meia tigela e virou um grande negócio. Negócio da China. Aliás, para onde foi o Conca? Para a China, não é mesmo?


Bem, a favor desses dirigentes descarados de nosso mais representativo esporte de massas, pode-se dizer que é melhor ganhar dinheiro fácil e mais ou menos desonesto - poderia dizer mais ou menos honesto - seria a mesma coisa, do que roubar os cofres públicos como essas pústulas de políticos sem vergonha que ocupam cargos importantes em nossa triste e esfarrapada República estão fazendo e esfregam as mãos de contentamento com as marmeladas preparadas para a próxima Copa do Mundo, batendo já em nossas portas.


(Foto: google.com.br)


ATÉ A PRÓXIMA


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CAMPEONATO CARIOCA ? ONDE ? QUANDO ? COMO ?


Sou do tempo em que o campeonato carioca era de cariocas mesmo. Quer dizer, os times que disputavam o campeonato eram da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Menos um, o Canto do Rio, que era de Niterói. O campeonato era por pontos corridos e os jornais da época, nas seções de esportes davam a colocação, sempre nas segundas-feiras, com alegorias criativas, como corrida de automóveis, chamadas de baratinha, ou em engraçadas figuras, representando os times, subindo num pau de sebo. Carioca torcia para carioca. Os times de primeira linha, evidentemente, tinham as maiores torcidas que enchiam os estádios da Gávea, das Laranjeiras, do Botafogo da rua General Severiano, do Vasco da Gama, o time da colina de São Januário, do Olaria, do Bangu, em Moça Bonita, quentíssimo subúrbio da Central, do Bonsucesso, do América, em Campos Sales, do São Cristóvão, onde nasceu o fenômeno Ronaldinho, do Madureira da rua Conselheiro Galvão, num senhor bairro, onde ferve um comércio fabuloso. Um pouco mais recente, o Campo Grande, representante da zona oeste do Rio, e a Portuguesa, localizada nos descampados dos ventos uivantes da Ilha do Governador, também compuseram esse conglomerado de times, o que fazia do campeonato carioca o mais glamoroso, pois todos eles eram da mesma cidade, da Cidade Maravilhosa. Menos o Canto do Rio, como dissemos, de cujo bairro niteroiense se descortina a mais espetacular vista do Rio de Janeiro, emoldurado pela Baía da Guanabara. Um show! Não sou do tempo do Andaraí, mas sei que em seu estádio, naquele bairro entre Vila Isabel e Grajaú, que já foi do América e hoje abriga um Shopping esquisitíssimo, já houve memoráveis partidas de futebol. Foi lá que jogou, por aquele Andaraí Atlético Clube, o famoso Dondon, que até virou música de autoria de Nei Lopes, interpretada por Zeca pagodinho e depois por Dudu Nobre.

Portanto, tenho uma opinião formada sobre o campeonato regional do Rio de Janeiro. Os times grandes e os pequenos, que ainda existem, com sede na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que têm tradição na disputa de campeonatos desde os tempos pré-cabralianos, disputariam um campeonato por pontos corridos ou de qualquer outra forma, desde que se descubra uma agenda para isso. Se não tiverem, o Secretário de Esportes do Rio, juntamente com o Prefeito e a CBF arranjariam um jeito em prol da volta de tudo aquilo que encheu de encanto e poesia o campeonato de futebol da nossa maravilhosa cidade.

Paralelamente os clubes das cidades do interior disputariam um campeonato nos mesmos moldes. Capital é capital e interior é interior, sem nenhum resquício de superioridade sócio-cultural, mas em favor da crua realidade. O campeão da Cidade do Rio de Janeiro (Campeão CARIOCA) jogaria com o campeão do interior do Estado do Rio de Janeiro (Campeão Fluminense - sem trocadilho). Aí sim, seria conhecido o campeão ESTADUAL. Campeão CARIOCA é uma coisa. Campeão ESTADUAL FLUMINENSE é outra coisa. Nada de Taça Guanabara e de Taça Rio. Isso não diz nada, nada acrescenta à crônica...
Veja em São Paulo. O campeão do Estado se chama CAMPEÃO PAULISTA e não CAMPEÃO PAULISTANO. Lá, em São Paulo, do campeonato Estadual participam clubes da capital e do interior. Daí, campeão PAULISTA. Mas São Paulo é outra coisa, ô mêo!


ATÉ A PRÓXIMA

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

AS MARCHINHAS CARNAVALESCAS VÃO VOLTAR ?


Estou postando nesse BLOG mais dedicado aos temas dos esportes de massa, basicamente o futebol, porque no BLOG DO PROFESSOR estão sendo postados os textos dedicados à memória do Professor Leodegário A. de Azevedo Filho, falecido no dia 30 de janeiro de 2011, no Rio de Janeiro.
Assim, este texto sobre as marchinhas de carnaval será publicado também, oportunamaente no BLOG DO PROFESSOR .


“Tanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão...

Será que ainda existem arlequins e colombinas ? Não há mais bailes de carnaval ! A Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro mudou. O Brasil mudou. O mundo mudou. Nós mudamos. A folia de carnaval combinava com o romantismo do pecado, escamoteado em rápidos agarramentos, beijinho no pescoço, alguns até na boca e mãos alisando os seios pela metade. Isso mesmo, só a parte de cima. Apalpá-los totalmente só na terça-feira gorda. Hoje, as cenas da Casa Mais Vigiada do Brasil, que repetem as orgias das casas de prostituição da Rua Alice, dos idos dos anos 40, com muito mais profissionalismo, não despertam em ninguém nenhuma sensação de desejo. Vulgarizou geral. As investidas da rapaziada nos blocos de sujo para cima das meninas deixaram de ter motivação. Consegue-se tudo isso a qualquer momento, com qualquer parceira, em nome de uma modernidade luxuriosa, presente em todas as casas que tenham um aparelho de televisão ligado na Rede Globo, ufanisticamente aplaudida por um povinho sem cultura nenhuma e com um gosto musical, esteticamente castrado, fã ardoroso de um grande animador, dublê de literato, apresentador desse programa chamado, só para disfarçar, de jogo de relacionamento social.

Nos carnavais de antigamente uma libidinagem bem acanhada e o proibido mesmo alimentavam a fantasia do desejo, explodindo toda a manifestação sensual reprimida na verbalização das marchinhas carnavalescas, com suas letras quase sempre falando da paixão carnal, da dor de cotovelo, do amor não correspondido, tudo com metáforas poéticas, sem vocábulos chulos e muito duplo sentido, um resquício de recato, para não falar vergonha, que desapareceu totalmente nos dias de hoje. Os temas recorrentes a assuntos que agora poderíamos chamar de politicamente incorretos, ou de socialmente degradados, como, por exemplo, a famosa Cabeleira dos inúmeros Zezés, que andam por aí, eram retratados metaforicamente, com recato e duplo sentido, diluindo o referencial numa linguagem figurada bem arrumada, induzida e bem produzida. Isso mesmo, com RIMA !

Também era muito comum nas letras das marchinhas de carnaval a crítica política, explicitada através do humor como riso. As "maracutaias" dos políticos da época surgiam espirituosamente nas músicas carnavalescas, sempre com retumbante sucesso, como se o desvio social do homem público fosse alguma coisa para se achar graça... Mas era assim mesmo e creio que a coisa ainda não mudou. Quanto aos desmandos e às roubalheiras dos políticos atuais, parece que nisso ninguém mais acha graça, não. Mas muita gente deixa como está, porque pior não pode ficar, não é Deputado Tiririca? Esses desvios não têm mais graça nenhuma e, agora, não seria tema de nenhuma música carnavalesca, pensamos nós. A censura dos anos 40 e 50 ainda despertava a vontade de se criticar o “status quo”. Parece que hoje, isso não funcionaria. Está ocorrendo uma tentativa para reviver as marchinhas de carnaval, mas a divulgação das músicas vencedoras nos concursos promovidos pela TV Globo, no FANTÁSTICO, aos domingos, não são muito divulgadas pelo rádio, como antigamente. E as Organizações Globo sabem que "o brasileiro não vive sem rádio"! Aliás, o Rádio também mudou. Não se faz mais uma PRE-8, Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, como antigamente! No interior do Brasil as emissoras de rádio só tocam música da pior qualidade. E quem ouve? Gente de uma sensibilidade também muito questionável. Realmente, os tempos mudaram, mas a música, erudita ou popular, e a poesia construída com nosso idioma sempre terão um lugar de destaque na vida artística de todos aqueles que cultuam a arte e trabalham com a estética do belo.

Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão”.
(Zé Keti)

ATÉ A PRÓXIMA

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

AS FOGOSAS AVENTURAS DE J. FERREIRA


Estou postando nesse BLOG mais dedicado aos temas dos esportes de massa, basicamente o futebol, porque no BLOG DO PROFESSOR estão sendo postados os textos dedicados à memória do Professor Leodegário A. de Azevedo Filho, falecido no último domingo, dia 30 de janeiro de 2011, no Rio de Janeiro.


Assim, esta RECENSÃO sobre o livro de Maurício Murad, AS FOGOSAS AVENTURAS DE J. FERREIRA, será publicada também, oportunamaente no BLOG DO PROFESSOR .

RECENSÃO

Editora 7 Letras, RJ, 2008.128 páginas.

AS FOGOSAS AVENTURAS DE J. FERREIRA é um romance de Maurício Murad que pretende ser uma fábula, com resquícios literários machadianos e que fala da vida, do amor e dos percalços por que passa um casal da classe média de nossos dias. Uma doença degenerativa, o Mal de Alzheimer, ceifa a vida do personagem central. A narrativa se torna densa. Ceifa a vida, mas não o prazer do texto, como diria Roland Barthes. O Autor mistura suas experiências de vida com um imaginário relacionamento familiar. Nos seus dez capítulos, o livro nos apresenta a progressão de um envolvimento bem articulado do narrador com o personagem central, João Ferreira, tratado referencialmente como J. Ferreira. Cada capítulo recebe um nome, significativamente retirado da história do texto desenvolvido.
O livro apresenta uma DEDICATÓRIA poética, referindo-se a três personagens chaves, onde a poesia já contracena com as duras vicissitudes da vida, prenúncio da morte, suavizada por uma narrativa eminentemente conotativa, escamoteando o triste desfecho da história. Assim, a partir desse primeiro contato com o romance, a metáfora do riso surgirá principalmente no primeiro capítulo, contrastando sempre, por antítese, com a tristeza da morte. E o primeiro capítulo funciona como uma introdução, apresentando o personagem Jota, através do discurso indireto livre e uma fala direta propositadamente dirigida ao leitor, que se excita e por isso se seduz com um discurso que lembra a técnica machadiana, fazendo do leitor seu cúmplice e parceiro.
Os recursos estilísticos utilizados por Maurício Murad são inúmeros e variam da metáfora ao estranhamento. Das sinestesias às hipálages, as mais variadas.
Olhei, meio porque não estava fazendo nada mesmo, e porque fui induzido a olhar para a frase que insistente serpenteava o tempo e ondulava o espaço”.
Com erudição, trabalha com maestria a grande característica do protagonista Jota, a sua simpatia e o seu riso, para quem, talvez, a vida poderia ser vista como uma grande comédia, rindo com todo o corpo, “menos com a boca”, região do corpo humano em que se especializou profissionalmente, como dentista. E no bloco praticamente da apresentação do personagem central, com uma sutil e bem colocada ironia, percorre inúmeras veredas do conhecimento, como na apresentação do bordão criado por J.Ferreira, o calor de bode. E as citações latinas surgem sem agredir o leitor, como a clássica sentença romana, “asinus ad liram”. De Santeui recolhe a máxima latina "ridendo mores castigat". E continua como crítico do cotidiano a colocar o dedo sobre as mazelas da vida social:
Crime pior do que assaltar um banco é fundar um banco”.
A leitura da vida se faz pelas palavras e seus significados primeiros.
Apesar da idade avançada e o jeito lento, tinha um aperto de mão cheio de personalidade e presença, dava pra sentir e eu senti o seu vigor. Fogoso, claro, fogoso! Tudo nele era fogoso. Todas as aventuras dele eram fogosas e fogosas não no sentido comum do termo. Marketing apelativo de um erotismo barato e diário, não, mas fogosas como fogo e fogo como energia, como vida, com alma, desse jeito mesmo como entendiam os gregos e sua mitológica mitologia”.

Serve-se de termos e frases latinas demonstrando erudição sem a pompa discursiva do academicismo, privilegiando a diacronia sobre a sincronia vocabular. E isso ocorre sempre que pretende teorizar.
Maurício Murad trabalha com o intertexto e sabe dosá-lo, sem ser ostensivo, colocando o saber no lugar certo, onde ele deve ser colocado, compondo o enredo, com exatidão, sem pernosticidade.

Ai, que saudades eu tenho, da aurora de minha vida, da minha infância querida, dos tempos que não voltam mais”.
O poético e a poesia em As fogosas aventuras de J. Ferreira surgem, muitas vezes, pela tentativa de uma teorização crítico-literária (“a poesia não é de quem a faz, mas de quem dela necessita”) e por alternância sintagmática em quiasma (“...e simultaneamente chorou e sorriu, sorriu e chorou”). Essa combinação de artifícios estéticos e lingüísticos imprime ao texto de Maurício Murad um estilo próprio, colocando seu discurso numa posição de significativo destaque na literatura brasileira atual. E com essa técnica narrativa apurada, o romance flui através do discurso indireto livre, o que posiciona o leitor no tempo subjetivo da narrativa. Nesse tempo proposto pelo autor, quase sempre, os diálogos surgem sem possibilidade de um feed-back, mas têm poder de captar a nossa atenção, evitando a dispersão. Diálogo proposto, monólogo exposto.
Ao retornar já tinha um plano completo para mim, que nunca revelou... para mim. Soube tempos depois, certa feita, num desses encontros em que caminhávamos pelo calçadão, soube por Jota que estava bravo com Analu, porque ela agora deu para inventar que eu estou esquecendo as mínimas coisas e não é verdade, eu lembro de muitas e muitas coisas, mesmo quando antigas”.

A narrativa do romance oscila sempre entre o autor onisciente e seu contraponto, J. Ferreira. É uma conversa com o leitor, para tentar chegar à degeneração física da personagem, praticamente biografada, no último capítulo, mas sempre com atenuantes minimizadoras da terrível realidade, o Mal de Alzheimer. Os textos se aproximam de um relatório amenizados por passagens poéticas (“Assim aspiro, assim espero”).

O caminho que se avizinhava era tortuoso e imprescritível. Nesse tipo de morada, as ruínas humanas eram vistas a olho nu. O nosso Jota havia chegado a um ponto onde os limites da existência se apresentavam duros e cruéis, acotovelando-se impiedosamente ao redor da pessoa. Eu era sabedor que essas baixas camadas da vida lá estaria pra nos receber”.

Finalmente, a personagem J. Ferreira fala pela narrativa onisciente do autor e uma das atenuantes acima referidas pode se encontrar no próprio título do último capítulo: PRIMEIRO DE ABRIL É UMA BOA DATA. Lá, até as metáforas, indicadoras do predomínio da conotação sobre a denotação são mais fortes, pesadas, mas aliviam a tensão que domina o texto final, impregnado pelo intertexto machadiano, onde o poético dilui o trágico.


ATÉ A PRÓXIMA

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

AINDA O CASO NEYMAR




O ex-jogador Caio, agora comentarista de futebol do SporTV, da Rede Globo, disse ontem e repetiu hoje que preferia que Neymar pagasse multa a que cumprisse suspensão de alguns jogos, pois os torcedores e o Clube é que seriam penalizados. Deixar qualquer um falar sobre importantes assuntos que transcendem o repertório redundante de jovens comentaristas esportivos pode ser fatal para a credibilidade da emissora, mesmo se sabendo que a liberdade de expressão é cláusula pétrea no exercício do jornalismo em todas as áreas. Mas no caso de Neymar, o atual comentarista, Caio, ainda não percebeu, pois não tem formação pedagógica, que a atitude do jogador do Santos Futebol Clube foi de rebeldia contra seu técnico (seu superior na relação empregado-empregador) e de falta de civilidade e companheirismo, elementos imprescindíveis para a formação integral de um adolescente que irá lidar com a fama e já está lidando com a fortuna. Ora, Caio é a favor do pagamento somente de multa, mas, para Neymar isso nada significaria, pois ele ganha muito e qualquer desfalque em seu salário seria insignificante e nada representaria. Não seria traduzido como forma de uma punição. Não estamos defendendo gratuitamente o sistema de crime e castigo, mas se o ex-jogador de futebol e atual comentarista do SporTV tivesse estudado um pouco de Psicologia Educacional, entenderia o que aconteceu com Neymar, identificando sua atitude com o "corredor russo" da obra de Dostoievsk, onde o conceito de trabalho forçado está relacionado com o de prazer lúdico. Se Caio não sabe nada sobre isso, nós não podemos deixar de comentar a posição desse jovem comentarista, pois o rapaz fala bem e é inteligente, com futuro na área jornalística. Quando observamos uma opinião controversa, devemos tentar, pelo menos, mostrar outras veredas para abordarmos o tema gestalticamente. Acontecendo casos assim, no futebol, é dever de qualquer comentarista justificar sua opinião, principalmente quando envolve desdobramentos que estão fora de sua área de conhecimento. Pela lógica do comentarista Caio, bem que o goleiro Bruno do Flamengo poderia pagar uma multa de, talvez, alguns milhões de reais à Justiça e ficar longe da cadeia, para regalo da vista de milhares de torcedores, amantes do bom futebol.

ATÉ A PRÓXIMA

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

FALTA EDUCAÇÃO E SOBRA GRANA, MUITA GRANA

Neymar teve um comportamento, no meio e no fim da sua última atividade de trabalho, não muito diferente daquele que inúmeros adolescentes praticam nas escolas públicas brasileiras que freqüentam. Xingou colegas e dirigentes e bateu boca com todo mundo, num linguajar pobre e chulo. Isso é muito comum nas escolas das periferias das grandes cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo. Esses jovens sem nenhuma ou quase nenhuma educação formal, vivendo em comunidades muito deterioradas quanto aos mais comezinhos princípios de respeito ao próximo, órfãos de todos os atributos pertinentes à cidadania, não chegam a absorver quase nada do que lhes é passado pelos abnegados professores dos primeiros níveis da educação de base. Enriquecem rapidamente no futebol, graças a um talento intuitivo no trato da bola, mas continuam sem nenhum sinal de transformação no seu comportamento, mesmo assistindo a umas aulinhas aqui e ali, de vez em quando. Suas famílias dependem totalmente desses meninos e tentam preservar a qualquer custo essa pedra preciosa ainda bruta, sem deixar ninguém burilá-los, pensando que o esmeril irá machucá-los. Em São Paulo os alunos ainda passam de ano automaticamente. Um absurdo. Eles ficam quatro horas na escola e vinte na rua, quase sempre extensão de suas casas. Aprendizagem, que é bom, não pode ocorrer nessas circunstâncias. E por muitos outros motivos, a educação faliu no Brasil. Pode se lembrar, caro leitor, do poeta, pois tudo isso seria uma rima, não seria uma solução!
Dizem que Neymar já tem 18 anos, não é? Então, tem título de eleitor e pode votar para eleger um Presidente da República, não é? Se matar alguém vai para cadeia comum, pois não é mais "di menor", não é? Já pode ter conta em banco e pode casar, ter filhos, separar, pagar pensão, não é? Mas Neymar ganha mais do que seus patrões todos. Nenhum diretor do Santos Futebol Clube ganha o que esse menino com cara e atitude de moleque ganha, não é? Então, senhores jornalistas, comentaristas, formadores de opinião esportiva, não adianta falar mais nada. Não adianta entrevistar nenhum diretor do Santos Futebol Clube para pedir explicações sobre a punição, não do jogador mal-educado, mas sim de seu técnico, que teve um lampejo educativo, propondo a sua suspensão por tempo indeterminado, pois qualquer multa em seu salário seria ridículo. Não representaria nada. O infrator ganha muito, muita grana, mesmo! O Clube investiu muito dinheiro nesse negócio chamado Neymar, que virou coisa, papel-moeda e está virando celebridade entre a meninada, entre seus equivalentes e seus amiguinhos mais chegados. Tomara que não atinja o topo do Podium alcançado pelo seu ex-colega do Flamengo...



ATÉ A PRÓXIMA

terça-feira, 27 de julho de 2010

T R I V E L A

O termo TRIVELA pertence à linguagem especial do futebol. É de uso corrente entre os narradores das partidas transmitidas tanto pelo rádio como pela televisão. Os articulistas de jornais e revistas também o usam. Portanto, esse termo pertence ao vocabulário ativo da linguagem futebolística, mas não é produtivo, isto é, com ele não se formam termos cognatos. São comuns expressões como: “Deu de trivela”; “Foi de trivela”; “Jogou ou lançou a bola de trivela”. Sempre a expressão DE TRIVELA é apresentada como um adjunto adverbial de modo.
TRIVELA é o chute dado com o lado externo do pé, e todos dizem que são os três dedos que tocam a bola, dando um incrível efeito, fazendo-a girar numa trajetória semelhante a um arco de círculo. Mas como se sabe que o chute foi dado com os três últimos dedos externos do pé, se a chuteira os encobre totalmente? Tentaremos responder, buscando as origens desse termo. Não temos conhecimento, hoje, de nenhuma tentativa de explicação. Como sempre fui seduzido pela questão das origens, pois tudo que está escondido no passado e faz parte da vida do homem, me encanta e desperta curiosidade, procurei tentar descobrir o que deu motivação a esse termo do futebol, mesmo sabendo que, em matéria de linguagem, a arbitrariedade do signo lingüístico existe e nos foi ensinado magnificamente pelo mestre franco-suíço, Ferdinand Saussure.
A decomposição mórfica desse vocábulo parece ser TRI + VELA. Se essa for a formação, isto é, se esses forem os elementos constituintes do vocábulo TRIVELA, cada um deles deve ter um significado, pois parece que são dois monemas, de acordo com a constituição mórfica desse termo. TRI corresponde ao significado três. E VELA? Bem, aí é que entra a observação e a experiência do pesquisador. Tudo leva a crer que VELA é o termo que irá significar, por metáfora, cada um dos dedos do pé do atleta, pois como os dedos das mãos, os dedos dos pés têm a forma de velas de aniversário, pequenas, com a unha no lugar da chama viva. Com um pouco de imaginação pode-se quebrar a arbitrariedade do signo lingüístico, tornando o significante motivado, dando origem a essa interpretação. São três velas os três dedos externos do pé do atleta, que com eles chuta a bola. E mais, o vocábulo surge com expressividade fônica: /TRI/-/VE/-/LA/. E se imaginarmos que o chute fosse dado com os quatro dedos, pois tudo está encoberto pela chuteira? Aí, então, talvez, pudessem surgir os termos TETRAVELA ou QUADRIVELA, o que, convenhamos, não seria eufônico, nem seria compatível com os mistérios do futebol e de sua magnífica linguagem figurada, pois TETRA é vocábulo dissílabo, mais longo e menos popular do que TRI. QUADRI está no mesmo caso da quantidade silábica e não tem nenhuma expressividade significativa. O povão não traduziria estas formas... Está aí, pois, registrada, mais uma humilde colaboração na área da interminável investigação linguística.

ATÉ A PRÓXIMA