PESQUISE NUMA BOA

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A ETIMOLOGIA DE FUTEBOL




Vamos falar sobre a palavra futebol. Vem da língua inglesa foot-ball.
Em português é futebol mesmo.
Em espanhol, ficou fútbol.
Em alemão é Fussball.
Em Portugal, Espanha e França usa-se a forma
inglesa football.
Na Itália é gioco del cálcio porque cálcio é pé, pontapé, coice. Na Inglaterra, a expressão football association reduz-se a soccer, para indicar o esporte em que somos pentacampeões mundiais e o vocábulo football designa o jogo rugby football, que lá se firmou como rugby (bola oval jogada com as mãos). O termo rugby provém do nome da escola Rugby School, em Warwickshire, onde teve início a prática desse jogo. Aqui no Brasil, no início do século passado, muitos tentaram traduzir o termo inglês para a nossa língua, chamando-o de balípodo, mas não obteve êxito junto ao povo. Além disso tudo, o futebol ainda é chamado de “velho e violento esporte bretão” por muitos locutores e comentaristas esportivos. Velho, porque tem mais de cem anos e violento, numa alusão às disputas de bola, nem sempre delicadas... Bretão, porque a Bretanha era uma província romana que abrangia a Inglaterra, o País de Gales e a Escócia Meridional. Com as migrações dos bretões nos séculos IV, V e VI, passaram a existir duas Bretanhas, a Grã Bretanha e a Pequena Bretanha. A primeira a atual Inglaterra e a segunda, a província francesa. Hoje falamos sobre o termo futebol e vimos muitas coisas interessantes a respeito desse vocábulo, porque esporte também é cultura.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

AUDIÊNCIA

A linguagem dos esportes está cheia de vida. Principalmente a linguagem dos esportes de massa. Aliás, o leitor sabe por que dizemos que um esporte é de massa? O que nos vem logo à mente é o futebol. Este esporte é de massa porque uma multidão está quase sempre presente nas arquibancadas ou em volta do alambrado dos campos de futebol e, além disso, as partidas são transmitidas pelas ondas de rádio até um grande público, por locutores e comentaristas especializados. E a televisão? Essa é a grande vedete do espetáculo, não nos esquecendo dos jogadores, obviamente. Pois é! A divulgação da partida pelo rádio e pela televisão, além dos comentários no dia seguinte nos jornais, faz com que o espetáculo seja visto, ouvido e comentado por milhares de pessoas, das quais nada sabemos a não ser que apreciam muito este esporte. São receptores sem rosto, anônimos, mas que existem e torcem, muitas vezes, fanaticamente. Eles se manifestam e são medidos, contabilizados, mas nunca identificados. Interessam aos institutos de pesquisa e são disputados pelo poder econômico que domina os aparelhos de divulgação de mensagens. A isso se chama AUDIÊNCIA.

domingo, 24 de agosto de 2008

FUTEBOL E INTIMIDADE



Quem observa atentamente o jogo de futebol, com os olhos interessados em buscar respostas para o que acontece com os jogadores envolvidos por seus movimentos acrobáticos na perseguição à bola e no contato que eles têm com ela, levando-a sempre colada a seus pés ou abraçando-a com as mãos, no caso dos goleiros, vai entender por que há uma relação imensa entre o futebol e a intimidade feminina. Essa visão de que o jogador persegue a bola em campo como o homem persegue a mulher para desfrutar de suas amabilidades é uma visão impressionista do observador. E o observador que a tudo isso presencia, por ofício, é o profissional do rádio, da Tv e dos diversos meios gutembérticos, como jornais e revistas. Essa visão impressionista cria termos e expressões, surgindo aí verdadeiros jargões que se incorporam à gíria do futebol. Essa linguagem especial trabalha basicamente com a estrutura morfológica da língua. As demais estruturas, como a fonética e a sintática quase não são atingidas por essa criatividade. É claro que esses novos termos e essa nova visão do jogo estão repletos de expressividade, daí a boa acolhida que têm pelo povão e por todos os amantes desse formidável esporte de massas, que é o futebol. Como a bola, a grande vedete do jogo, é um substantivo feminino, toda a carga semântica da feminilidade recai sobre ela, principalmente quando, na visão do narrador do jogo, os jogadores passam a desenvolver com ela um malabarismo circense de causar delírio nos espectadores. Sabe-se que as formas estéticas estão centradas na ótica do receptor e, portanto, os aficionados do futebol, que assistem aos jogos nas arquibancadas, de radinho colado ao ouvido ou no recesso do lar, comodamente refestelados no sofá da sala de jantar vendo o jogo pela televisão, transformando-se em receptores finais da grande mensagem audiovisual do espetáculo, estão todos prontos para serem multiplicadores desses mesmos valores estéticos, portanto. Então, tanto decodificado, à custa de seu próprio repertório, ou induzido a uma decodificação que os obriga a aceitar como belo o que vêem em campo, aceitam as acrobacias dos jogadores como Real e recriam em seu subconsciente o sema circense, com Fantasia. Aí, todos os componentes da sensualidade reprimida extravasam no delírio dos que torcem, com gritos de histeria e urros bem próximos do orgasmo. Assim, imagens subliminares se criam na mente do torcedor pela presença da pantomima executada pelo jogador que trama com a bola uma hipotética orgia libidinosa. Essa linguagem do inconsciente se consubstancia na letra do discurso lingüístico, através da metonímia, uma condensação manifesta e um deslocamento latente. Portanto, essas formas lingüísticas associadas à feminilidade e à intimidade libidinosa surgem pelo trabalho do discurso do Outro. Os termos, os sintagmas e demais expressões eivadas de erotismo são disseminadas por todos os que se identificam com a linguagem do futebol e proliferam. Muitos são os exemplos: ABRIR AS PERNAS; ACARICIAR A BOLA; AGASALHAR A CRIANÇA; BALANÇAR O VÉU DA NOIVA; CHAMAR A BOLA DE MEU BEM; CHAMAR A BOLA DE MARICOTA e muito mais. A origem está numa visão impressionista dos locutores, comentaristas e repórteres esportivos, mas, por esse modelo, o público-alvo também se torna criador, ficando a criatura perpetuada numa linguagem especial de uma época, que, se não for registrada, pode se perder no porvir.
Até a próxima.

domingo, 17 de agosto de 2008

CAMARÕES



O Brasil jogou sua última partida de futebol (15/08) nessas Olimpíadas de 2008, na China, contra um país de nome complicado. Aliás, essa equipe de futebol já complicou a nossa vida e é bastante conhecida de nossos jogadores, técnicos e dirigentes, isso porque nos mandou para casa mais cedo, nas Olimpíadas de 2000. Mas seu nome ainda desperta curiosidade por ser, no mínimo, inusitado. Camarão é aumentativo de um primitivo nome, hipoteticamente reconstituído, cámaro. Em espanhol é cámaro, camarón, do latim cammaru, do grego kámmaros. Já em italiano, a forma gambaro vem de uma variante latina cambaru, também hipotética, tudo registrado por Antenor Nascentes, em seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Na história do Brasil encontramos o herói indígena Potü ou Poti, batizado com o nome cristão de Antônio Filipe, aliado dos Portugueses nas lutas contra os Holandeses, no século XVII. O poti ou potim é o nome indígena do camarão, muito comum nos rios brasileiros. Na África, uma antiga colônia alemã, hoje país independente, tem o nome de Camarões, limitado a oeste e a norte pela Nigéria, a leste pelo Chade e pela República Centro-Africana, a sul pelo Congo, pelo Gabão e por Mbini (Guiné Equatorial) e a oeste pelo Golfo da Guiné, através do qual faz fronteira com a Guiné Equatorial, via a ilha de Bioko. Capital Taoundé. O nome Camarões corresponde ao francês Cameroun e ao alemão Kamerun. Segundo José Pedro Machado, “há quem chame Camerun a esta antiga colônia alemã em África, por adaptação de qualquer das formas (Cameroun / Kamerum). Estas, afinal, eram também adaptações, mas do português Camarões, nome de rio local onde havia desses animais em abundâncias e de apreciável tamanho”. Cita, a seguir, em seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa: “Adiante d’essa serra de Fernan do Poo duas legoas ao nordeste está hum rio que se chama dos Camarões e aqui há muita pescaria...”, in Esmeraldo, p. 126.
Bem, o jogo terminou com um placar modesto, só concretizado na prorrogação: Dois a Zero.
Gostaram? Mas camarão é bom mesmo no espetinho ou como molho numa autêntica moqueca baiana, não é mesmo?
ATÉ A PRÓXIMA.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

OS NOMES PRÓPRIOS NOS ESPORTES DE MASSA


É só repararmos os nomes de muitos conhecidos jogadores de futebol dos times que disputam o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, para chegarmos à conclusão de que esses substantivos próprios estão carregados de afetividade. É isso mesmo! São muitos, como Carlinhos, Marquinhos, Paulinho, Luizinho, Fabinho, Renatinho etc. Mas há Carlão, Luizão, Marcão, Paulão, Fabão e muitos mais. Dizemos que a maioria desses nomes próprios é constituída por formas recheada de afetividade, porque são todos atletas de estatura razoavelmente elevada, fazendo juz ao aumentativo ou, por antítese, jogadores não muito altos, que têm seu nome em aumentativo por inúmeros motivos, inclusive por afetividade. Parece ser o caso de Magrão (ex-Palmeiras), onde o peso e o físico marcaram mais do que a altura. A verdade é que sempre está surgindo uma forma conotativa para marcar a presença de cada um, em suas equipes. Isso, aliás, é muito comum na família brasileira, que tem essa mania de dar forma diminutiva ou aumentativa aos nomes dos meninos, no aconchego do lar. Depois esses nomes acompanham o jovem, o adolescente, o rapaz adulto em suas atividades profissionais. Por outro lado, muitos só recebem esse carinhoso nome, quando chegam aos novos ambientes de trabalho, mesmo não os ostentando ao se apresentarem aos clubes, onde vão tentar a vida, como atletas profissionais. É o caso dos jogadores de futebol. Mas só de futebol, porque isso não é comum acontecer com os jogadores de basquete ou vôlei, que recebem geralmente o sufixo aumentativo, relacionado diretamente à sua grande estatura.

Nesse caso, o aumentativo é denotativo. E o diminutivo também, como parece ser o caso de Serginho, líbero da atual Seleção Brasileira de vôlei. Ele é o menor do grupo. Mas há poucos nomes próprios com esses sufixos, como, por exemplo, os nomes dos rapazes da "geração de ouro" de vôlei, como Carlão e Paulão. Na "geração de Bernardinho", aparece Rodrigão, o meio-de-rede, com 2,05m. Aliás, no vôlei, onde a média de altura dos jogadores varia entre 1,90 a 2,0m não ocorre, a exagerada terminação ÃO, denotando tamanho, pelo contrário, aparecem alguns diminutivos também afetivos. O técnico Bernadinho, da "geração de prata", Marcelinho e Ricardinho, esse atualmente em desgraça, por comportamento estranho às orientações técnicas, são exemplos de diminutivos em atletas de grande altura. O elenco de nossa seleção de vôlei apresenta poucos nomes próprios com esses sufixos, quer aumentativo, quer diminutivo. Observem: "Geração de Prata" - Bebeto de Freitas (técnico), William (levantador), Bernard Rajzman, criador do saque Jornada nas Estrelas, Xandó, Renan, Badalhoca, Montanaro, Bernardinho ; "Geração de ouro" - José Roberto Guimarães (Técnico), Tande (Ponta), Marcelo Negrão (Oposto), Giovane (Ponta), Maurício (Levantador), Carlão (Meio), Paulão (Meio), Pampa (Ponta), Douglas (Meio), Amauri (Meio), Janelson (Ponta), Jorge Edson (Meio), Talmo (Levantador); "Geração Bernardinho" - Bernardinho (técnico), Anderson (oposto), André Heller (meio-de-rede), André Nascimento (oposto), Dante (ponta), Giba (ponta), Gustavo Endres (meio-de-rede), Marcelinho (levantador), Murilo Endres (ponta), Ricardinho (levantador), Rodrigão (meio-de-rede), Samuel (ponta), Serginho (líbero), Bruninho (levantador). Outros jogadores: Nalbert (campeão olímpico em 2004), Giovane (campeão olímpico em 2004), Maurício (campeão olímpico em 2004).

No basquete também não ocorre com muita freqüência essa sufixação, tanto afetiva como referencial e citamos, por exemplo, alguns atletas que tentam ir agora às Olimpíadas de Pequim, neste ano de 2008, comandados pelo técnico espanhol Moncho Monsalve. São eles, entre outros: Guilherme Giovannoni, Nenê, Anderson Varejão, Guilherme, Leandrinho, Duda Machado, Marcelo Machado. É importante dizer que o universo de jogadores de vôlei e basquete é infinitamente menor do que o dos jogadores de futebol, nesse Brasil de paixão exarcebada pelo “velho e violento esporte bretão”. Falamos dos aumentativos e diminutivos masculinos. E os femininos? É interessante o que ocorre, no futebol, no vôlei e no basquete.

Tomemos a Seleção Brasileira Feminina de Futebol, do Pan 2007. Suas jogadoras eram Andréia, Simone Jatobá, Aline Pelegrino (capitã), Tânia Maranhão e Michele; Renata Costa, Daniela Alves, Formiga e Maycon. Outras jogadoras: Cristiane e Kátia Cilene. Em nenhum desses substantivos próprios há sufixos, nem denotativos, nem conotativos, isto é, os nomes das jogadoras não têm a complementação conotativa-afetiva (-inha), nem a complementação denotativa-pejorativa, talvez, (-ona). E mais: Duda, Gabbi, irmã de Duda, Daniela Alves, Cristiane, Rosana, Aline, Kátia Cilene, Daniela Alves, Cristiane e Marta, a melhor do mundo, segundo a FIFA. Encontramos, ainda, a jogadora Pretinha, de 1,57m (Delma Gonçalves), com o sufixo –inha introduzindo, nitidamente, a noção de afetividade, por ser ela muito querida pelo grupo, além da noção denotativa, por sua pequena estatura. Isso é surpreendente, pois se esperava que o povo, ao acolher carinhosamente seus ídolos femininos, se manifestasse também com generosidade lingüística, chamando-as, com todo afeto, de Martinha, Dudinha, Danielinha etc.

No vôlei feminino ocorrem registros dos dois sufixos; o de diminutivo e o de aumentativo. Assim, temos as jogadoras, mundialmente consagradas com vários títulos mundiais: Fofão, apelido dado pelo técnico José Roberto a Hélia Rogério de Sousa, de 1,73m, por achar seu nome muito complicado. Por que não Fofona ou Fofinha? Não encontramos outro nome próprio feminino com esse sufixo –ão. Já em Valeskinha, nome de Valeska dos Santos Menezes, de 1,80m, parece que foi adotada essa forma para não confundir com Walewska Moreira de Oliveira, de 1,90m. Ainda, a nosso ver, encontramos os afetivos Joycinha (Joyce Gomes da Silva), de 1,90m e Renatinha (Renata Colombo, de 1,81m), jogadora que pertenceu ao Rexoma-Ades.

No basquete feminino encontramos Katião (Kátia Denise), de 1,87, do BCN/Osasco, cuja forma aumentativa é devido a sua elevada estatura. No passado recente as grandes estrelas foram Hortência e Magic Paula. A primeira nunca foi chamada de Hortencinha, embora os torcedores tenham tido por ela o maior carinho. Já Paula recebeu, com toda justiça, o epíteto de Magic. As meninas da “bola ao cesto” mais conhecidas atualmente são Claudinha, Adrianinha, Natália, Micaela, Karla, Chuca, Jaqueline, Karem, Fernanda, Êga, Mamá, Franciele, Karina, Kelly, Graziane, Alessandra, Helen, Janeth, Iziane, Érika, Cíntia. Somente duas dessa lista respondem pelo seu nome com o sufixo –inha.

No futebol masculino a coisa é diferente. Esse esporte de força, de muitos movimentos, de saltos, correria, lances bruscos, muitas vezes responsáveis por graves contusões, apresenta seus “craques” e muitos jogadores importantes com aquela característica bem familiar do diminutivo ou do aumentativo. É interessante registrar que o aumentativo também pode introduzir a noção de “excelente”, “fantástico” quando, ao nome do jogador de grande destaque na partida, é acrescentado o sufixo –ão. Citamos como exemplo o goleiro do Palmeiras, ex-Seleção Brasileira, que, normalmente, é escalado com o nome de Marcos, mas se transforma em Marcão, ao fazer defesas maravilhosas, fechando o gol, como se diz na gíria do futebol. É chamado de Marcão tanto pelos locutores que transmitem as partidas, como pelos torcedores nas arquibancadas. Parece que houve uma contaminação semântica entre o sentido do sufixo –ão, com o conceito de “bom”, “excelente”, porque o dimensionamento (tamanho), inerente ao sufixo –ão, em substantivos, se mistura à forma idiomática de se empregar um substantivo com o valor (adjetivo) superlativo. Diz-se “ele é um homão”, querendo-se dizer que “ele é um homem muito bom, excelente homem”. O substantivo próprio (Marcão) passa a se comportar desta mesma forma, isto é, com função adjetiva, capaz de poder expressar, pelo sufixo a ele acrescentado, um sentido de intensidade. Esse fenômeno lingüístico está na deriva da língua portuguesa, uma vez que ocorre com certa freqüência, em situações quando, na linguagem, predomina a função poética. Há muitos anos, apareceu em out-doors, na cidade do Rio de Janeiro, uma publicidade do então Banco do Estado, BANERJ, pioneiro no lançamento do cheque especial, que dizia o seguinte:
BANERJ, O BANCO DO CHEQUÍSSIMO.

Agora, alguns nomes de jogadores com sufixo –inho.
Marquinho – Marco Aurélio Pereira Alves (Atlético Mineiro), de 1,72;
Luizinho Netto – Luís Idorildo Netto da Cunha (Atlético Mineiro), de 1,85m;
Carlinhos Bala – José Carlos da Silva (Cruzeiro, Sport Recife), de 1,65m;
Marinho – Mairon César Reis (Atlético Mineiro), de 1,79;
Danilinho – Danilo Veron Bairros (Atlético Mineiro), de 1,64;
Mazinho – Elismar Cândido Santos (América Mineiro), de 1,72;
Marcinho – Márcio José Oliveira (Atlético Mineiro), de 1,71;
Ilzinho – Ilson Pereira Dias Júnior ( São Paulo), de 1,78;
Romerito – Romer Mendonça Sobrinho ( Goiás Esporte Clube), de 1,83;
Leandrinho – Leandro da Silva Batista (Esporte Clube Juventude), de 1,69;
Edinho - Edison Carlos Felicíssimo Polidório (Paraná Clube);
Dininho – Irondino Ferreira Neto (Palmeiras), de 1,83;
Rafinha – Rafael da Silva Francisco (Grêmio de Porto Alegre), de 1,67;
Diguinho – Rodrigo Oliveira de Bittencourt (Botafogo), de 1,71;

E mais:

Serginho, Eltinho, Edinho (de Edmo), Fabinho, Foguinho (apelido, de fogo), Paulinho, Chiquinho, Juninho Paulista, Marcinho Guerreiro, Marcelinho . E são inúmeros

O jogador ZINHO, que defendeu o Flamengo, Seleção Brasileira, Palmeiras, Cruzeiro, Grêmio, Yokahama (Japão), Nova Iguaçu (RJ) e Miami FC pode ser considerado um caso sui generis, pois um sufixo (morfema nominal) se transforma em lexema (substantivo próprio) devido, inegavelmente, ao seu incomum nome de batismo, Crizam César de Oliveira Filho, e à sua pequena estatura, mas tudo isso direcionado para uma nova forma afetiva de denominá-lo.

Muitos jogadores de futebol têm seus nomes no aumentativo, quase sempre por serem de estatura elevada. Assim:

Luizão – Luís Carlos Nascimento Júnior (Cruzeiro, de MG), de 1,84;
Fernandão – Fernando Lúcio da Costa (Internacional de Porto Alegre), de 1,90;
Magrão (apelido) – Márcio Rodrigues (Corinthians, SP), de 1,86;
Carlão – Carlos Roberto C. Jr. (Corinthians, SP), de 1,82;
Betão – Ebert Willian Amâncio (Corinthians, SP), de 1,81;
Chicão (sem aparente explicação) – Anderson Sebastião Cardoso (Figueirense de SC), de 1,81;
Fabão – José Fábio Alves Azevedo ( São Paulo), de 1,87.

É muito longa a lista desses nomes próprios, masculinos e femininos, com os sufixos –inho(a) ou –ão, pois essa maneira afetiva, debochada ou até pejorativa está enraizada na nossa cultura e é assim que os meninos e meninas são chamados no seio familiar, levando, muitas vezes, para a vida profissional essa marca lingüística que deve ser respeitada. Achamos que esse texto deu para se ter uma idéia dessa curiosa diversidade de nomes próprios nos esportes de massa, no vôlei, no basquete e, principalmente, no futebol.


ATÉ A PRÓXIMA

terça-feira, 15 de julho de 2008


Terça-feira, 25 de Março de 2008

UM NOVO BLOG: LETRAS FUTEBOL CLUBE



Depois da pesquisa que fizemos, ficamos sabendo quais são os assuntos preferidos no nosso BLOG DO SUL, DA BOLA E DAS LETRAS e resolvemos caminhar em duas direções.
No BLOG DO SUL, DA BOLA E DAS LETRAS ficarão as postagens referentes aos assuntos sobre Filologia, Etimologia e Gramática junto com Crônicas do Cotidiano.
No segundo BLOG, batisado de LETRAS FUTEBOL CLUBE, vamos apresentar postagens referentes à linguagem do futebol, curiosidades sobre o jogo da bola e qualquer aspecto literário que venha envolver ou fale dessa plurifacetada forma de espressão esportiva, a grande metalinguagem futebolística, que é esse fabuloso esporte de massas.
Postado por Professor Feijó às
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A LÍNGUA PORTUGUESA E O FUTEBOL



M E T O N Í M I A


Metonímia - Em sentido lato, isto é, em sentido amplo, “é a figura de linguagem que consiste na ampliação do âmbito de significação de uma palavra ou expressão, partindo de uma relação objetiva entre a significação própria e a figurada. Com esta definição, a metonímia abrange a sinédoque” (Cf. Mattoso Câmara Jr., Op. Cit., 1999, p.167). Um exemplo. Cem cabeças de gado. Stricto sensu, isto é, no sentido mais limitado, as principais relações na metonímia são: a) lugar pelo produto; b) causa pelo efeito; c) matéria pelo objeto; d) marca pelo objeto; e) sinal pela coisa significada; f) abstrato pelo concreto; g) autor pela obra; h) continente pelo conteúdo. No futebol, quer dizer, nos textos que falam do futebol, podemos encontrar muitas situações em que a METOMÍNIA se faz presente. Vamos exemplificar com alguns termos, como: BANCO - BANDEIRINHA - BARBANTE - BICO e muito mais. Vejam lá.1- BANCO - Significa todos os jogadores reservas que ficam sentados no banco e estão aptos a jogar. Guarda uma noção de plural o que, talvez, justifique a frase dita, um dia, por um técnico de futebol: - “O banco do meu time são de jogadores excelentes”. Ouvem-se, ainda, sem relação ao que foi dito antes, expressões como: “Qual é o banco do Fluminense?”; “Romário está no banco?”. Termo usado, por metonímia, na linguagem esportiva em geral.




2- BANDEIRINHA - Auxiliar de arbitragem nas partidas de futebol, que assinala as faltas, impedimentos, laterais, levantando uma pequena bandeira (vermelha ou amarela ou quadriculada em vermelho e amarelo). Atualmente envia um sinal eletrônico, recebido pelo árbitro, chamando a sua atenção para algo mais sério, que por ventura aconteça. BANDEIRINHA é substantivo comum, masculino ou feminino, pois já há mulheres nessa função de auxílio aos árbitros. O diminutivo é afetivo. BANDEIRA e BANDEIRINHA são casos de metonímia. Atualmente, muitos locutores e comentaristas esportivos, principalmente os que trabalham nas emissoras de televisão, empregam a expressão auxiliar da arbitragem, uma forma de falar, que mostra como a linguagem do futebol está se sofisticando, infelizmente. Existe, também o termo BANDEIRINHA (só subst. fem.) com valor denotativo, sem nenhuma metáfora ou linguagem figurada. Trata-se de uma pequena bandeira, mesmo. Pura denotação. É a bandeirinha pregada na parte superior das estacas, fincadas no chão, nos ângulos retos da figura geométrica retangular, que delineia o campo, onde se pratica o jogo futebol.




3- BARBANTE - Nome que se dá às redes que envolvem as balizas. Como as redes são feitas de corda de náilon, espécie de fibra têxtil sintética e parecem com barbante, que é feito com algodão, fica registrada a metonímia: a matéria pelo objeto. Ouve-se: “Foi no barbante”. Usa-se, também, com o mesmo sentido, o termo “filó”.



4 - BICO - No futebol é usado em expressões como: “Deu de bico”, “Bicão pra cima” etc. Caso de sinédoque: parte pelo todo. BICO refere-se à parte frontal da chuteira, o calçado especial para a prática do futebol. BICÃO: BICO + suf. ão. No basquete, as expressões “Deu bico” e “No bico” significam que a bola lançada em direção à cesta bateu no aro e voltou para ser disputada. Neste caso não ocorre metonímia. Então, gostaram?Indiquem nosso SITE e nosso BLOGGER para quem gosta de futebol.




Você aqui encontra coisas do Sul, da Bola e das Letras


Postado por Professor Feijó às 2:39 PM 0 comentários
28 de Fevereiro de 2007



No início do ano letivo, apresentamos sempre uma série de fenômenos gramaticais que já devem ter sido esquecidos por muita gente que estudou até o último ano do segundo grau. Mas é bom recordar, principalmente quando relacionamos esses fatos gramaticais com um esporte de massas como é o caso do futebol. É isso mesmo: futebol também é cultura!
Hoje veremos o tal de EUFEMISMO. Vocês sabem o que é isso? Estão esquecidos?
Vejamos, então. EUFEMISMO é a suavização de uma idéia ou de um acontecimento, ou de um fato, que poderá chocar por seu realismo. É, portanto, uma enunciação atenuada de idéia ou coisa tida como desagradável, grosseira ou indecorosa em determinado meio social. O termo ou a expressão é substituído por outros de sentido mais impreciso ou aproximado. Por exemplo. Em vez de dizermos "ele morreu" para darmos a notícia do falecimento de alguém, dizemos que ele en
tregou a alma ao criador...Agora, muito interessantes são os comentários esportivos, em Portugal, principalmente na imprensa, nos jornais especializados em futebol. Alguns jornalistas, tentando eufemizar algumas situações, isto é, tentando criar um EUFEMISMO, utilizam expressões muito estranhas e até engraçadas, com muito giro, como falam nossos irmãos de além-mar. O que vamos apresentar agora, leva-nos a admitir que foi pior a emenda do que o soneto. Vejam, lá: "Ele levou com uma bola naquele local que se usa para fazer bebés, mas está tudo correndo bem " (Jornal Record, 27/09/95, p.11).
No Brasil, chama-se SOPRADOR DE APITO, o péssimo árbitro de futebol, como fazia Mário Vianna, antigo comentador de arbitragens nas rádios e ex-árbitro da Federação Carioca de Futebol, do Rio de Janeiro. Mas isso foi há muito tempo...




Ficamos por aqui. Gostaram?




Postado por Professor Feijó às 3:44 PM 0 comentários